Como apareceu o termo “Jantar no Victor”
São válidos os termos “jantar no Victor” ou “o Restaurante do Victor".
As expressões são um dito muito
usado pelos “pilões” mais antigos entre as décadas 20 a 40, quando não se sabia
onde ir jantar ou almoçar ou se havia “ficado em branco”.
Para os “pilões” que não conhecem
a origem do mencionado dito, aqui lhes deixo a versão do que aconteceu naquele
já tão distante jantar de domingo dos idos de 1920/30 no refeitório da 2ª
Secção da Estrada de Benfica, 374 concretamente situado no rés-do-chão por de baixo do
espaço onde actualmente está instalada a
Biblioteca.
Na mencionada época, os jogos de
futebol organizados pela Associação de Futebol de Lisboa (Campeonato de Lisboa)
disputavam-se nas tardes de domingo, pelas equipas do Benfica, Sporting,
Belenenses, Carcavelinhos, União de Lisboa, Casa Pia, Vitória de Setúbal e
Barreirense.
No referido jantar, o Manuel
Coelho “pilão” 19290001, o saudoso e sempre lendário “gorila” que também foi o
“galera”, protagonizou a cena que deu aso à expressão em referência que teve por
palco e pano de fundo o Refeitório da 2ª Secção. Naquele já tão distante
domingo, o Manuel Coelho, ferveroso adepto benfiquista não faltou ao jogo
Benfica-Belenenses, realizado no já desaparecido Estádio das Salésias em Belém
na Rua das Casas de Trabalho, junto do denominado “Altinho de Belém”.
Refira-se que naqueles tempos os
alunos do “pilão” tinham entrada de “borla” para o “peão” dos campos de
futebol, para assistirem aos jogos oficiais desde que estivessem devidamente
fardados.
O “peão” do Campo das Salésias
era de terra batida com bastante pedra solta e muito inclinado para facilitar a
visão do jogo, nos seus mais pequenos pormenores, desenvolvidos pelos jogadores
das duas equipas que se defrontavam no rectângulo de jogo de terra batida. O
piso de relva ainda não tinha chegado a Portugal.
O trajecto do Pilão aos campos de
futebol, e não só, era efectuado a pé para poupar uns tostões para a compra de
goluseimas e alguma onça de tabaco.
O jogo e o trajecto a pé das
Salésias ao 374 da Estrada de Benfica levou mais tempo que o habitual e o
Manuel Coelho chegou atrasado ao jantar. A Companhia de alunos já estava no
refeitório a jantar, sob as vistas do sargento Gomes (o “pança”) e oficial de
serviço Ten Ferreira (o “carraça”) a quem o atrasado Manuel Coelho fez a
regulamentar saudação e solicitou autorização para jantar. A resposta do
“carraça”, depois de se inteirar da situação, foi imediata e decisiva – ‘se
gostaste tanto do jogo e da exibição do teu ídolo benfiquista, vai ao Vitor
que te dê o jantar’.
Claro que depois de muitas
desculpas, lá conseguiu o Manuel Coelho comer qualquer coisa, obtida pelos
colegas que trouxeram do refeitório numa manifestação tradicional de solidariedade
“pilónica”.
O Vitor Silva era um
avançado-centro benfiquista, um jogador exímio com a cabeça, nos anos 30. Na
equipa do Vitor Silva jogavam também o Salvador (bailarino e compére de anos na
Revista à Portuguesa do parque Mayer em Lisboa), Albino, Gustavo Teixeira
(casapiano), Pinho (também casapiano) e Raúl Figueiredo (o tamanqueiro).
Pontificavam no Belenenses o Augusto Silva, o César de Matos e o José Manuel
Soares o ‘pépe’. [19290077 Augusto Dias]
Pupilos Memorial