terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pupilos: 'AVIAÇÃO'



Como apareceu o termo 'AVIAÇÃO'


Ao saír do Instituto, em Outubro de 1935, o 19270099 António Esmeraldo Alves Cunha, (de alcunha o 'nineteen-nine') resolveu abraçar a Força Aérea. Nunca ele admitiu é que o rancho da Unidade onde fora colocado vir a ser pior do que o que era ao tempo servido no Pilão.
Daí que um dia, de visita à malta que deixara no Pilão, logo relatou da sua saudade pelo que ali lhe era dado comer, em especial o tanto que se recordava das batatas guisadas com carne e do suculento molho. A malta que não vai de modas logo a baptizou de “aviação” pela recordação que daquele ex-colega tinha e pela falta que mais tarde poderia ser sentida pelos demais.

O Esmeraldo Cunha era um artista teatral de gabarito. Não sei se não chegou aos palcos dos teatros. Casou com uma Condessa. [19290042 - Espírito Santo]

Pupilos Memorial

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pupilos: "É JACARÉ ..."


Como apareceu o grito "É JACARÉ ..."

   A história do “jacaré” nasceu numa récita da época do “Nini” (Director Tamagnini Barbosa) por causa de uma alegoria a África. No acto alguém perguntava: “é jacaré ?”.



Mas não foi aí que a salvação/grito se completou com a “jacarezada”. Só depois de 1948, talvez 1949 ou 50 se começou a ouvir tal grito, que agora existe no internato.
  Sei que há quem venha atribuindo tal grito ao famoso e já muito badalado e estafado resultado de um jogo de futebol entre o Pilão e o CM no ano lectivo 1947-48. Tudo isto, dizem, com base e rima nas alcunhas do guarda-redes e de um ponta de lança (avançado-centro) da equipa do Pilão obreira do volumoso resultado. Tal não é verdade. Nesse jogo, dos 7-0, o guarda-redes era o 19410277, Lourenço Caseiro e não o 19420391, Medina Carreira que tinha a alcunha de “jacaré”. Quanto ao “perdigão”, terá sido a alcunha do 19410110, Nicolau Matias que se saiba nunca foi ponta de lança ou avançado-centro, como já se escreveu, mas sim defesa da mencionada equipa de futebol, nos Campeonatos organizados pela Mocidade Portuguesa, entre todas as escolas, obrigatoriamente, suas filiadas.
  Ora tendo o Nicolau Matias por alcunha “o perdigão” e o Medina “o jacaré” e havendo possivelmente alguém com memória da récita do “Nini” onde se versejava o jacaré, alguém se lembrou do complemento (perdigão) para a rima na quadrilha:
É jacaré?, não é,
É perdigão?, também não.
Então o que é?
- IPE, IPE, IPE.
No ano em que o Medina foi guarda-redes da equipa de futebol (1948-49), salvo erro perdemos 1-0 com o Colégio Militar.

Terá sido nesta equipa que a “jacarezada” começou a ser gritada?. [19410291 Pires Mendes]

Pupilos Memorial

Pupilos: “FÔ ou “IR AO FÔ


Como apareceu o termo “FÔ ou “IR AO FÔ



 
Eu só consegui entrar para o ‘pilão’ em 1929. Em 1927 fui candidadto mas o médico que era o Major Veiga e Sousa reprovou-me por eu ser muito franzino. Para minha infelicidade em 1928 o Afonso Costa, proibiu as entradas no Instituto. Desta forma voltei a ser candidato em 1929 e na inspecção médica voltei-me a encontrar com o Veiga e Sousa. Pensei de imediato que ia reprovar. Felizmente quem me safou foi um enfermeiro muito grande que para nós quase parecia um elefante. Era muito competente e a malta logo lhe arranjou a alcunha do ‘fã’ diminutivo de elefante. Daí vem o termo que ainda hoje predura de ir ao ‘fã’ quando se quer ir à enfermaria.[19290077 Augusto Dias]

Pupilos Memorial

Pupilos: “Jantar no Victor”

Como apareceu o termo “Jantar no Victor”

São válidos os termos “jantar no Victor” ou “o Restaurante do Victor".
As expressões são um dito muito usado pelos “pilões” mais antigos entre as décadas 20 a 40, quando não se sabia onde ir jantar ou almoçar ou se havia “ficado em branco”. 
Para os “pilões” que não conhecem a origem do mencionado dito, aqui lhes deixo a versão do que aconteceu naquele já tão distante jantar de domingo dos idos de 1920/30 no refeitório da 2ª Secção da Estrada de Benfica, 374 concretamente situado no rés-do-chão por de baixo do espaço onde actualmente  está instalada a Biblioteca.
Na mencionada época, os jogos de futebol organizados pela Associação de Futebol de Lisboa (Campeonato de Lisboa) disputavam-se nas tardes de domingo, pelas equipas do Benfica, Sporting, Belenenses, Carcavelinhos, União de Lisboa, Casa Pia, Vitória de Setúbal e Barreirense.
No referido jantar, o Manuel Coelho “pilão” 19290001, o saudoso e sempre lendário “gorila” que também foi o “galera”, protagonizou a cena que deu aso à expressão em referência que teve por palco e pano de fundo o Refeitório da 2ª Secção. Naquele já tão distante domingo, o Manuel Coelho, ferveroso adepto benfiquista não faltou ao jogo Benfica-Belenenses, realizado no já desaparecido Estádio das Salésias em Belém na Rua das Casas de Trabalho, junto do denominado “Altinho de Belém”.
Refira-se que naqueles tempos os alunos do “pilão” tinham entrada de “borla” para o “peão” dos campos de futebol, para assistirem aos jogos oficiais desde que estivessem devidamente fardados.
O “peão” do Campo das Salésias era de terra batida com bastante pedra solta e muito inclinado para facilitar a visão do jogo, nos seus mais pequenos pormenores, desenvolvidos pelos jogadores das duas equipas que se defrontavam no rectângulo de jogo de terra batida. O piso de relva ainda não tinha chegado a Portugal.
O trajecto do Pilão aos campos de futebol, e não só, era efectuado a pé para poupar uns tostões para a compra de goluseimas e alguma onça de tabaco.
O jogo e o trajecto a pé das Salésias ao 374 da Estrada de Benfica levou mais tempo que o habitual e o Manuel Coelho chegou atrasado ao jantar. A Companhia de alunos já estava no refeitório a jantar, sob as vistas do sargento Gomes (o “pança”) e oficial de serviço Ten Ferreira (o “carraça”) a quem o atrasado Manuel Coelho fez a regulamentar saudação e solicitou autorização para jantar. A resposta do “carraça”, depois de se inteirar da situação, foi imediata e decisiva – ‘se gostaste tanto do jogo e da exibição do teu ídolo benfiquista, vai ao Vitor que te dê o jantar’.
Claro que depois de muitas desculpas, lá conseguiu o Manuel Coelho comer qualquer coisa, obtida pelos colegas que trouxeram do refeitório numa manifestação tradicional de solidariedade “pilónica”.


O Vitor Silva era um avançado-centro benfiquista, um jogador exímio com a cabeça, nos anos 30. Na equipa do Vitor Silva jogavam também o Salvador (bailarino e compére de anos na Revista à Portuguesa do parque Mayer em Lisboa), Albino, Gustavo Teixeira (casapiano), Pinho (também casapiano) e Raúl Figueiredo (o tamanqueiro). Pontificavam no Belenenses o Augusto Silva, o César de Matos e o José Manuel Soares o ‘pépe’. [19290077 Augusto Dias]

Pupilos Memorial