segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pupilos: “Jantar no Victor”

Como apareceu o termo “Jantar no Victor”

São válidos os termos “jantar no Victor” ou “o Restaurante do Victor".
As expressões são um dito muito usado pelos “pilões” mais antigos entre as décadas 20 a 40, quando não se sabia onde ir jantar ou almoçar ou se havia “ficado em branco”. 
Para os “pilões” que não conhecem a origem do mencionado dito, aqui lhes deixo a versão do que aconteceu naquele já tão distante jantar de domingo dos idos de 1920/30 no refeitório da 2ª Secção da Estrada de Benfica, 374 concretamente situado no rés-do-chão por de baixo do espaço onde actualmente  está instalada a Biblioteca.
Na mencionada época, os jogos de futebol organizados pela Associação de Futebol de Lisboa (Campeonato de Lisboa) disputavam-se nas tardes de domingo, pelas equipas do Benfica, Sporting, Belenenses, Carcavelinhos, União de Lisboa, Casa Pia, Vitória de Setúbal e Barreirense.
No referido jantar, o Manuel Coelho “pilão” 19290001, o saudoso e sempre lendário “gorila” que também foi o “galera”, protagonizou a cena que deu aso à expressão em referência que teve por palco e pano de fundo o Refeitório da 2ª Secção. Naquele já tão distante domingo, o Manuel Coelho, ferveroso adepto benfiquista não faltou ao jogo Benfica-Belenenses, realizado no já desaparecido Estádio das Salésias em Belém na Rua das Casas de Trabalho, junto do denominado “Altinho de Belém”.
Refira-se que naqueles tempos os alunos do “pilão” tinham entrada de “borla” para o “peão” dos campos de futebol, para assistirem aos jogos oficiais desde que estivessem devidamente fardados.
O “peão” do Campo das Salésias era de terra batida com bastante pedra solta e muito inclinado para facilitar a visão do jogo, nos seus mais pequenos pormenores, desenvolvidos pelos jogadores das duas equipas que se defrontavam no rectângulo de jogo de terra batida. O piso de relva ainda não tinha chegado a Portugal.
O trajecto do Pilão aos campos de futebol, e não só, era efectuado a pé para poupar uns tostões para a compra de goluseimas e alguma onça de tabaco.
O jogo e o trajecto a pé das Salésias ao 374 da Estrada de Benfica levou mais tempo que o habitual e o Manuel Coelho chegou atrasado ao jantar. A Companhia de alunos já estava no refeitório a jantar, sob as vistas do sargento Gomes (o “pança”) e oficial de serviço Ten Ferreira (o “carraça”) a quem o atrasado Manuel Coelho fez a regulamentar saudação e solicitou autorização para jantar. A resposta do “carraça”, depois de se inteirar da situação, foi imediata e decisiva – ‘se gostaste tanto do jogo e da exibição do teu ídolo benfiquista, vai ao Vitor que te dê o jantar’.
Claro que depois de muitas desculpas, lá conseguiu o Manuel Coelho comer qualquer coisa, obtida pelos colegas que trouxeram do refeitório numa manifestação tradicional de solidariedade “pilónica”.


O Vitor Silva era um avançado-centro benfiquista, um jogador exímio com a cabeça, nos anos 30. Na equipa do Vitor Silva jogavam também o Salvador (bailarino e compére de anos na Revista à Portuguesa do parque Mayer em Lisboa), Albino, Gustavo Teixeira (casapiano), Pinho (também casapiano) e Raúl Figueiredo (o tamanqueiro). Pontificavam no Belenenses o Augusto Silva, o César de Matos e o José Manuel Soares o ‘pépe’. [19290077 Augusto Dias]

Pupilos Memorial

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